O Tauba (arrependimento) - Parte 3

11-04-2009 00:40

Os pecados podem ser classificados de várias formas; grandes, pequenos; voluntários e involuntários, secretos, abertos, sobre actos duvidosos, etc.

 

Os Álimos (teólogos) apresentam várias definições sobre pecados grandes. Segundo a opinião de alguns, o pecado grande é o que o Cur’ane nos adverte da sua proibição. De acordo com outros, o pecado grande é a que tenha alguma imposição assentada na conduta e código Islâmico e ainda há quem apresenta outra definição de que o pecado grande é todo o acto considerado proibido pelo Cur’ane.

 

De acordo com Ibn Kathir, o pecado grande é todo o acto proibido, praticado sem medo e negligentemente. Segundo Ibn Abbass (que Deus esteja satisfeito com ele) o pecado grande é o que é reprimido e declarada a punição para o seu praticante. De acordo com Imam Al Ghazali, tudo o que impede conhecer à ALLAH e que arruina a vida e os meios de sobrevivência, é considerado pecado grande. Existem igualmente opiniões diferentes sobre o número de pecados grandes. Alguns afirmam que são 4, 7, 9, 14, outros dizem que são 700.

 

Segundo Abu Talib Makki, existem 17 pecados grandes. Ele diz: “Eu juntei-lhes a partir de Hadices de Ibn Abbass, Ibn Mas’ud, Ibn Omar e outros Sahabas (que Deus esteja satisfeito com eles). De entre eles, 4 têm ligação com o pensamento, nomeadamente:

(1) Associar alguém a ALLAH;

(2) Praticar o pecado repetidamente;

(3) Desesperar-se da Misericórdia de ALLAH e

(4) Não temer o castigo de ALLAH.

 

Quatro (4) têm a ligação com a língua:

(1) Depor falsamente;

(2) Difamar uma mulher casta;

(3) Quebrar uma promessa e

(4) Praticar feitiçaria.

 

Outros três (3) têm ligação com o estômago:

(1) Tomar intoxicantes;

(2) Devorar bens de órfãos;

(3) Desfrutar da usura deliberadamente.

 

Dois têm ligação com o instinto sexual:

(1) Praticar o adultério;

(2) Sodomia.

 

Dois têm ligação com as mãos:

(1) Matar e

(2) Roubar.

 

Um tem ligação com as pernas

(1) Fugir da luta contra os incrédulos.

 

E o último está ligado ao corpo inteiro, que é desobedecer aos pais.

 

Quando o ser humano comete um pecado, deve ter duas obrigações nomeadamente o Tauba, i.é, arrepender-se, e praticar boas acções, porque o bem elimina o mal, assim como o frio elimina o calor. Se o mal surgir na mente do indivíduo, pode-se adquirir a sua penitência através do pedido de perdão, humildemente dizendo por exemplo: ”Ó ALLAH! Eu fui injusto para comigo e cometi o pecado, por isso, perdoa-me.

 

Para a penitência do pecado cometido pelo corpo pode-se ainda incluir a caridade e outros actos. Consta da experiência de alguns Santos que, se o indivíduo após cometer o pecado de seguida praticar 8 boas acções, sendo 4 do íntimo e 4 do corpo, poderá ser perdoado.

As 4 acções do íntimo são:

(1) Tauba;

(2) Pensar em praticar boas acções;

(3) Precaver-se de pecados e

(4) Temer o castigo pelos pecados, esperando o perdão do mesmo.

 

As 4 acções do corpo são:

(1) Praticar 2 Rakátes logo após cometer o pecado;

(2) recitar 70 vezes o Isstighfar e 100 vezes "ALLAHUAKBAR WALILLAHUIL HAMD (ALLAH é grande com Seus louvores)";

(3) Dar caridade e

(4) Jejuar voluntariamente.

 

Isto baseia-se num Hadice, segundo o qual se alguém cometer um pecado, deverá praticar imediatamente uma boa acção e orar secretamente se o pecado tiver sido cometido às ocultas ou orar publicamente se o pecado tiver sido feito às vistas.

Pois ALLAH diz no Cur’ane: «Na verdade, as boas acções anulam as más acções» (Cap. 11 Vers 114)

  

ALLAH diz:

”E quando vierem ter contigo os que acreditam nos nossos versículos diz-lhes: "Que a Paz esteja convosco. O vosso Senhor prescreveu a si próprio a misericórdia. Quem de entre vós praticar um mal por desconhecimento e depois arrepender-se e emendar-se, saiba que ALLAH é indulgente e misericordioso." (Cap. 6, Vers 54)

 

E diz: ”Os servos do Clemente são esses que ao gastarem não esbanjam e nem mesquinham. O seu dispêndio está entre isso, no meio-termo. E esses que não invocam outra divindade com ALLAH, nem matam nenhum ser que ALLAH tenha proibido, salvo no curso de justiça, nem cometem adultério - pois quem assim procede, irá ao encontro do pecado e castigo. O castigo será dobrado para ele no Dia da Ressurreição e permanecerá no inferno, eternamente desprezado, a não ser que ele se arrependa, creia e pratique boas acções; a estes ALLAH transformará as suas más acções em boas acções (isto é, dar-lhes-á força e vontade para a prática de boas acções, em vez de pecados que praticava antes), pois ALLAH é Indulgente e Misericordioso. Aquele que se arrepende e pratica o bem volta verdadeiramente à ALLAH.” (Cap. 25 vers 67 a 71)

 

Existem também pecados de menor gravidade e que igualmente devem ser evitados. Porém, ao serem praticados constantemente poderão tornar-se em pecados de maior gravidade. Os pecados podem igualmente ser classificados por dois grupos: "Huququllah" e "Huququl-ibád".

 

"Huququllah" - São os pecados cometidos contra ALLAH. Por exemplo, não praticar o Salat, o Jejum, o Haj e outras obrigações, pois isso é um assunto entre o servo e o Criador.

"Huququl-Ibád" - São os pecados cometidos contra o seu semelhante. Por exemplo, caluniar, difamar, defraudar, mentir, etc. É de recordar que para a expiação de pecados contra o seu semelhante, ALLAH exige que o ofendido perdoe o ofensor e depois ALLAH perdoará o ofensor.

 

Consta num Hadice Qudssi em que ALLAH diz: «Quando o Meu servo tenciona praticar uma boa acção e não a fizer, Eu registo uma recompensa para ele; e se ele concretizar Eu credito-lhe dez recompensas a seu favor. Quando ele tenciona fazer um mal, mas não vier a cometer Eu perdoo-lhe o mesmo. E se ele praticar, Eu registo para ele um pecado.»

O Mensageiro de ALLAH (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) disse: «Os anjos disseram: “Os Seus servos tencionam cometer um mal, embora Tu saibas melhor da situação deles. Pelo que Ele (ALLAH) disse: «Observai-lhe, se ele cometer (um mal) registai contra ele um mal, porém se ele abster-se do mesmo, registai-lhe uma boa acção, por ter desistido de praticar o mesmo por Minha causa.»”» (Relato de Musslim)

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