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O que o Profeta disse sobre o jejum

Condições para o verdadeiro jejum

 

O Profeta (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) apontou, de várias maneiras, o verdadeiro espírito do jejum, explicando que, ficarmos com fome e com sede mas ignorando o espírito da coisa, não tem valor algum aos olhos de Deus.

 

A abstenção da falsidade

 

Uma vez o Profeta (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) disse: "Se o indivíduo não deixar de falar coisas falsas e não deixar de agir segundo elas, Deus não quererá que ele deixe de comer e de beber" (Bukhari).

 

Numa outra ocasião ele disse: "Muitas são as pessoas que jejuam, mas que nada ganham com isso além de fome e sede; e muitos são os que ficam acordados orando toda a noite e nada ganham com isso a não ser atraso de sono" (Darimi).

 

As lições são claras e inequívocas: o ficarmos com fome e com sede não é, em si, adoração, mas um meio para realizarmos a verdadeira adoração. A verdadeira adoração significa desistirmos de violar a lei de Deus, por temor e amor a Ele, buscando efectuar actos que O agradem, e refreando-nos quanto à indiscriminada actividade dos desejos materiais. Se não fizermos isso, estaremos simplesmente causando uma inconveniência desnecessária aos nossos estômagos.

 

Fé e auto-escrutínio

 

O Profeta (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) chama a atenção para uma outra meta do jejum: "Todo aquele que observar o jejum, acreditando nele e dando importância a ele, terá perdoados os seus pecados passados" (Bukhari e Muslim).

 

Acreditar significa que a fé em Deus deverá permanecer viva na consciência do muçulmano. Darmos importância significa que deveremos buscar apenas o agrado de Deus, vigiando constantemente os nossos pensamentos e as nossas acções para nos certificarmos de que nada estaremos a fazer que seja contrário ao Seu agrado. A observância desses dois princípios irá proporcionar a rica recompensa dos nossos pecados passados serem perdoados. A razão é óbvia: "Um penitente será como um que, por assim dizer, jamais cometeu o pecado", como disse o Profeta (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele)  (Ibn Mája).

 

Um escudo contra os pecados

 

Em outra ocasião o Profeta (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) disse: "O jejum é como um escudo (para a proteção dos ataques de Satanás)." Assim sendo, quando alguma pessoa observa o jejum, deve usá-lo (esse escudo) e se abster de discutir. Se alguém discutir com essa pessoa, ela deverá simplesmente dizer: "Irmão, eu estou jejuando; e não esperes que eu me envolva em semelhante procedimento"  (Bukhari e Muslim).        

 

A fome pela bondade

 

O Profeta (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) uma vez deu orientação no sentido de que o homem, enquanto jejuando, deverá desempenhar mais trabalho do que o usual e desejar ardentemente realizar actos de bondade. Compaixão e solidariedade para com seus irmãos deverão intensificar-se no seu coração, porque, estando ele no estado de fome e de sede, estará mais capacitado a se consciencializar da miséria dos outros servos de Deus que são destituídos.

 

No mês de Ramadan, aquele que providenciar comida para que outro quebre o jejum, terá os seus pecados perdoados, a salvação do Fogo, bem como a recompensa de um que esteja jejuando, sem qualquer redução da recompensa deste (Baihaqui).

 

Abdullah Ibn Abbas conta que o Profeta (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) costumava tornar-se extraordinariamente bondoso e generoso durante o mês de Ramadan. Nenhum pedinte, naquele período, saía da sua porta com as mãos vazias; e tantos escravos quanto fosse possível eram libertados (Baihaqi).  

 

Convidando os não muçulmanos

 

Planeemos convidar alguns não muçulmanos ou alguns colegas para o iftar e por ocasião do Eid. Isso ajudará a formar uma ponte sobre a lacuna de informação que existe entre muçulmanos e não muçulmanos. Estaremos ainda cumprindo a sunnah do Profeta (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) acerca de sermos benevolentes com o nosso próximo.

 

Repartindo as benesses

 

O Profeta Muhammad (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) pedia aos muçulmanos que convidassem outros muçulmanos para o iftár: "Isso tornar-se-á uma fonte de perdão para os pecados de alguém, sendo que receberá tanta recompensa quanto à da pessoa que estiver jejuando." Os convidados são uma bênção de Deus e uma fonte de barakah.