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História do Islão

 

O Islão nasceu na Arábia, região à qual os árabes se referem como Jazirat Al-'Arab, "a ilha dos árabes", pelo facto da região se encontrar isolada, estando separada de África e Ásia pelo mar. É uma região inóspita marcada pela presença do deserto, onde a água é um bem raro.

 

Préviamente ao surgimento do Islão, os árabes não formavam uma unidade política coerente. Nos inícios do século VII, a Arábia posicionava-se em torno de dois impérios que se defrontavam: a oeste, Bizâncio, cristã e herdeira de Roma e a Leste, o Império Persa, tendo como religião oficial o zoroastrismo, mas nele também viviam cristãos, judeus e maniqueus. A oeste da Arábia situava-se a Abissínia, que professava o cristianismo copta.

 

 

A sociedade e religião da Arábia Pré-Islâmica

 

A base da sociedade era a tribo que reunia descendentes de um mesmo antepassado, sendo que uma tribo era composta por vários clãs, agrupando famílias alargadas que se encontram sob a autoridade de um homem. Algumas tribos eram sedentárias e outras eram nómadas (beduínos), vivendo em guerra constante.

 

Do ponto de vista religioso, a Arábia era dominada pelo politeísmo, mas também viviam nela comunidades monoteístas. Tribos judaicas, talvez chegadas à península Arábica após a destruição do Segundo Templo em 70, formavam comunidades que habitavam os locais de Fardak e Yathrib, nome pré-islâmico da cidade de Medina. Algumas tribos da Árabia setentrional tinham se convertido ao cristianismo monofisita ou ao cristianismo nestoriano. Influências zoroastrianas e cristãs faziam-se sentir a sul, no Iémen.

 

As principais divindades eram adoradas sob a forma de uma árvore ou de um bétilo (pedra sagrada). Alguns bétilos eram transportáveis e acompanhavam os nómadas nas suas deslocações. Os Árabes erguiam santuários e sacrificavam animais em sua honra. Outras práticas religiosas incluiam o jejum e a peregrinação. Acreditava-se igualmente na presença dos jinn's (espíritos), alguns dos quais tinham um carácter maligno.

 

Os árabes reconheciam uma divindade a que chamavam de Al-lah, criador de todas as coisas, mas este não tinha o carácter que lhe foi atribuído mais tarde pelo Islão. Al-lah tinha três filhas: Allat, Manat ("Destino") e Al´Uzza ("A Poderosa").

 

 

 

 A importância de Meca

 

A cidade de Meca, a cerca de 80 quilómetros do mar, era o centro de uma peregrinação anual feita pelos Árabes. Nela encontrava-se um santuário, a Kaaba, onde existia a Pedra Negra, que era alvo de veneração. Os peregrinos davam sete voltas em torno dela no sentido contrário aos ponteiros do relógio. No século VII a cidade adquiriu importância como centro económico: ela controlava o tráfego de caravanas que atravessam a Arábia. Por ela passavam os produtos que tinham sido trazidos para o Iémen da Abíssinia e da Índia e que eram transportados pelas caravanas para o Mediterrâneo. Uma rota que atravessava a Arábia a partir do Golfo Pérsico em direcção à Abissínia foi encerrada devido ao conflito entre a Pérsia e Bizâncio, o que fez aumentar a importância de Meca.