De Portugal para o Mundo...


Especial Ramadan

 

O Jejum no mês do Ramadan

 

O Jejum no mês do Ramadan é obrigatório para todo o muçulmano que tenha atingido a puberdade e que goze de perfeita saúde física e mental. Os versículos a seguir falam-nos da sua obrigatoriedade e explicam porque, quando e como jejuar:

 

"Ó fiéis, está-vos prescrito o jejum, tal como foi prescrito a vossos antepassados, para que temais a Deus. Jejuareis determinados dias; porém, quem de vós não cumprir jejum, por achar-se enfermo ou em viagem, jejuará, depois, o mesmo número de dias. Mas quem, só à custa de muito sacrifício, consegue cumpri-lo, vier a quebrá-lo, redimir-se-á, alimentando um necessitado; porém, quem se empenhar em fazer além do que for obrigatório, será melhor. Mas, se jejuardes, será preferível para vós, se quereis sabê-lo.

 

O mês de Ramadan foi o mês em que foi revelado o Alcorão, orientação para a humanidade e vidência de orientação e Discernimento. Por conseguinte, quem de vós presenciar o novilúnio deste mês deverá jejuar; porém, quem se achar enfermo ou em viagem jejuará, depois, o mesmo número de dias. Deus vos deseja a comodidade e não a dificuldade, mas cumpri o número (de dias), e glorificai a Deus por ter-vos orientado, a fim de que (Lhe) agradeçais”. (Alcorão Sagrado 2:183-185).

 

Como jejuar?

 

O Jejum no Islão é o abster-se da ingestão de qualquer espécie de alimentos ou bebidas, fumar e ter relações íntimas, desde o despontar da alvorada (ou "desde o raiar da aurora") até o pôr-do-sol, durante o mês do Ramadan (no calendário Islâmico).

 

Caso a pessoa pratique deliberadamente um dos actos acima mencionados, o jejum será anulado.

 

Caso a pessoa se esqueça e coma ou beba durante o jejum, ao lembrar-se deverá imediatamente parar a ingestão do alimento ou da bebida e prosseguir o jejum, pois este ainda será válido.

 

Como penitência para este acto de quebrar o jejum, a pessoa terá que jejuar durante 60 dias seguidos ou dar comida a 60 pessoas pobres. Mesmo que se faça tal cumprimento da pena, terá perdido muitas graças, como disse o Profeta Muhammad (que a Paz e a Benção de Deus estejam sobre ele):

"Quem quebrar um dia de jejum no Ramadan sem desculpa ou enfermidade, não substitui o jejuar o resto de sua vida, mesmo que o faça." O sentido desde dito é que jejuar um dia no mês do Ramadan é mais valioso perante Deus do que jejuar a vida toda.

 

O Profeta Muhammad (que a Paz e a Benção de Deus estejam sobre ele) aconselhou-nos a fazermos o Suhur, que é uma refeição antes do início do jejum, ou seja, de madrugada, antes do raiar da aurora, de modo a aliviar a fome e a sede, auxiliando-nos no cumprimento diário do jejum. Disse o Profeta Muhammad (que a Paz e a Benção de Deus estejam sobre ele): "Lançai mão do Suhur, porque há benção nesse acto."

 

O período do jejum poderá ser maior ou menor (já que utilizamos o calendário lunar que é móvel), dependendo do mês e estação do ano correspondente no calendário solar. Assim sendo, jejuamos algumas vezes no Inverno, de dias curtos e frios, outras no Verão, de dias longos e quentes, e outras vezes em períodos intermediários.

 

 

A isenção do Jejum

 

A isenção do Jejum dá-se nos seguintes casos:

 

1- Quando a pessoa estiver enferma: Caso a pessoa esteja doente, poderá deixar de jejuar até se restabelecer ou, caso o médico ache que o jejum dificulta a cura do paciente, ele também deverá parar o jejum até se curar, devendo repor os dias não jejuados, quando estiver de boa saúde.

 

2- O viajante: Quando a viagem tiver uma distância longa, fica na escolha do viajante jejuar ou não. Isso vai depender de cada pessoa em analisar se a viagem é cansativa e por isso será uma dificuldade para ele jejuar ou não, devendo, da mesma forma que o item anterior, repor os dias não jejuados.

 

3- A gestante e a lactante: Caso a mulher esteja grávida, ou amamentando, e temer pelo seu bébé, estará isenta do jejum, devendo, da mesma forma, repor os dias não jejuados, passado o período de gravidez ou de amamentação.

 

4- O idoso: Que seja fisicamente incapaz de jejuar. Para este o jejum não é mais obrigatório, cabendo ao idoso, caso possua condições, dar por cada dia não jejuado, uma refeição a um necessitado ou o valor equivalente a esta refeição.

 

5- A mulher menstruada ou em resguardo pós parto: Ela não jejuará até que passe este período. Mesmo que ela queira, ou sinta que possa fazê-lo, está-lhe vedado o jejum e os dias não jejuados, deverão ser repostos, passado o período.

 

6- No caso de uma doença incurável: A pessoa deixa de jejuar definitivamente, tendo que dar uma refeição a um necessitado para cada dia não jejuado ou o equivalente ao valor de uma refeição, caso tenha condições para tal, caso contrário não está obrigado a nada.

 

 

Alguns benefícios do Jejum para nossa vida espiritual

 

Podemos ver que o jejum é uma extraordinária escola que nos ensina os mais altos graus de moralidade, cria o amor e a misericórdia nos corações e acostuma-nos com a prática da caridade.

 

O jejuador procura dizer coisas construtivas para os outros e nunca procura causar distúrbios entre as pessoas, procura dizer sempre a verdade e ser leal, não mentir nem difamar os outros, procura cumprir as suas promessas e nunca agir hipocritamente.

 

Portanto, ao jejuarmos um mês todo os anos e ao colocarmos em prática tais acções, veremos que isso é viável e procuraremos agir dessa forma o ano inteiro.

 

Logo, temos no jejum um verdadeiro exercício da fé. O acto de ficarmos com fome e com sede não é, em si, adoração, mas um meio para realizarmos a verdadeira adoração.

A verdadeira adoração significa desistirmos de violar as Leis de Deus, por temor e amor a Ele, buscando realizar actividades que O agradem e refreando-nos quanto às que não O agradam, caso contrário, estaremos apenas causando uma inconveniência desnecessária ao nosso estômago e nada lucraremos com isso.

 

Além de ser uma revisão e um balanço das nossas vidas, devemos perguntar-nos sempre se estamos agindo de acordo com o que agrada a Deus ou não.

 

 

Outros benefícios do Jejum

 

1º- O Jejum fortalece o domínio da razão sobre os impulsos cegos dos sentimentos, pois o homem não é guiado apenas pelos seus instintos, mas também por considerações que previnem os seus instintos animais da destruição, orientando-o para uma vida social harmoniosa, decente e refinada.

Quem fizer o jejum correctamente poderá com certeza disciplinar os seus desejos apaixonados e colocar o seu ser acima das tentações físicas. Pois, caso o homem, ao invés de controlar esses desejos, fosse controlado por eles, estaria igualando os animais. Assim, através do jejum, o Islão procura dominar e disciplinar os desejos do homem.

 

2º- O jejum ensina ao homem a disciplina, a paciência e o autocontrole. Imaginem termos o frigorífico cheia de alimentos e bebidas e estarmos sentindo fome ou sede decorrentes do jejum e não abrirmos o frigorífico para nos satisfazer a fome ou sede por estarmos seguindo as ordens de Deus, resistindo a isso com paciência. Disse o Profeta Muhammad (que a Paz e a Benção de Deus estejam sobre ele):

"É um mês de paciência, e a paciência leva para o paraíso. É o mês da equidade e abundância para o crente. Aquele que jejua alcança o perdão para os seus pecados."

 

3º- O jejum integra a comunidade no exercício religioso, criando a sua unidade. Pois todos os muçulmanos, em momentos iguais, ficam de jejum e em momentos exactos quebram o jejum, criando a efectiva igualdade entre todos, governantes e governados, ricos e pobres, pois todos sentem as mesmas sensações, quer quando estão jejuando, ou seja, a fome e a sede, quer quando quebram o jejum.

 

4º- O Jejum facilita ao homem o domínio da arte de se adaptar. Pois ao jejuarmos no mês do Ramadan, podemos perceber a mudança da rotina da nossa vida diária, como, por exemplo, ao invés de fazermos 3 refeições diárias fazemos apenas duas. Tendo os seus horários também modificados, as horas de sono do tempo normal de descanso são encurtadas, já que acordamos mais cedo para fazermos o Suhur, etc.

Devido a esta mudança, o homem adapta-se naturalmente a um novo sistema e reage a fim de corresponder às novas condições. Assim sendo, com o tempo nós acabamos desenvolvendo uma força espontânea de adaptação e de superação das dificuldades imprevistas da vida.

 

5º- O jejum faz com que se crie no homem um sentimento humanitário e de solidariedade, pois ao passar por certas privações, mesmo que temporárias, sentindo os seus efeitos, tais como fome e sede, o homem conhecerá realmente o significado da fome que assola os seus semelhantes e se lembrará dos seus irmãos que talvez passem por isso durante dias, semanas ou até meses. Esta experiência faz com que nos apressemos mais do que qualquer outra pessoa em procurar satisfazer as necessidades deles.

 

 

Os benefícios do Jejum para a nossa saúde 

 

Disse o Profeta Muhammad (que a Paz e a Benção de Deus estejam sobre ele): "Jejuem e se curem."

 

O Jejum no Islam não segue o padrão de total abstinência, mas pode ser considerado como um jejum controlado. Os nutricionistas são a favor do jejum controlado de modo a se obter uma melhor saúde. Esse tipo de recomendação está de acordo com o jejum no Islão. A total abstinência de comida e de líquido é desencorajada, uma vez que poderá levar a efeitos colaterais danosos, ou à inanição, se prolongada.

 

O Jejum é uma dieta alimentar, elimina os resíduos e o excesso de humidade dos intestinos, reduz o índice de açúcar no sangue, revitaliza a circulação, reduz o colesterol, organiza e regula a pressão arterial, dá descanso ao coração, além de ajudar na cura dos males da pele, uma vez que diminui o índice de água no corpo e no sangue, de entre vários outros benefícios.

 

 

A oração do Tarawih

 

As orações do Tarawih devem ser praticadas somente no mês do Ramadan, após a oração da noite. Elas podem ser praticadas separadamente ou em grupo e são orações voluntárias.

 

O Profeta Muhammad (que a Paz e a Benção de Deus estejam sobre ele) fê-las em grupo na mesquita somente em 3 ocasiões, pois temia que as pessoas a tornassem obrigatória, caso o vissem rezando todos os dias na mesquita.

 

 

Os hadices do Profeta Muhammad (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) sobre o Jejum

 

"Quando chega o mês do Ramadan, abrem-se as portas do paraíso e se fecham as do inferno, e os demónios permanecem acorrentados."

 

"A uma pessoa que jejuar durante o mês do Ramadan, com fé e esperança de alcançar o beneplácito de Deus, ser-lhe-ão perdoadas as faltas."

 

"Há uma porta no paraíso chamada Al Raiyan, através da qual, no Dia do Juízo, somente entrarão as pessoas que tiverem jejuado, e nenhuma outra. Será dito: Onde estão as pessoas que jejuaram? Estas entrarão por ali, sendo que ninguém mais o fará, salvo elas. Uma vez que tiverem entrado, a porta se fechará e, posteriormente, ninguém mais poderá entrar."

 

"Deus o Majestoso e o Exaltado, disse: Cada acto do filho de Adão é em seu próprio favor, excepto o jejum. Este é por Minha causa e Eu o recompensarei. Por Deus, em cuja mão está a vida do Profeta, o hálito do que jejua é mais agradável para Deus do que a fragrância do almíscar."

 

"Um grande mês, um abençoado mês, um mês contendo uma noite que é melhor do que mil meses, chegou a vós, ó gente. O Deus, Todo Poderoso, apontou a observância do jejum durante ele como um dever obrigatório, sendo que passar as suas noites em oração é uma prática voluntária. Se alguém se acercar de Deus Todo Poderoso durante ele, praticando boas acções, será como um que cumpre um dever obrigatório num outro mês; e aquele que cumprir um dever obrigatório nesse mês será como o que cumpre setenta deveres obrigatórios num outro mês. Esse é o mês da paciência e a recompensa para a paciência é o paraíso. É o mês de repartir com os outros e é o mês em que as provisões dos crédulos são aumentadas. Se alguém der, a um que esteja jejuando, algo com que quebrar esse jejum, isso lhe proporcionará o perdão para os seus pecados e o salvará do inferno, e terá uma recompensa igual à sua, sem que a sua recompensa seja de maneira alguma diminuída."

 

"Diga aos servos de Deus que infeliz é aquele que, tendo em sua presença pai ou mãe idosos, perde a oportunidade de entrar no Paraíso graças aos dois (cuidando deles); e infeliz é quem, presenciando o Ramadan, perde a oportunidade de obter o perdão de seus pecados."

 

"O jejuador tem dois momentos de alegria: Um ao quebrar o jejum, matando a sede e a fome, e o outro ao encontrar o seu Senhor, que o recompensará pelo seu jejum."

 

"No seu começo a misericórdia de Deus envolve Seus servos, no seu meio Ele concede-lhes perdão dos pecados, e no seu fim os liberta do inferno."

 

Por outro lado, orientou-nos a quebrarmos o jejum logo após o pôr-do-sol, sem prorrogá-lo. Quanto a isso ele disse:

"Assim disse Deus Todo Poderoso Senhor da Glória: Dentre os meus servos, prefiro aquele que se apressa em quebrar o jejum."

 

Quanto a quebrarmos o jejum com água e tâmara, ele disse: "Quando alguém quebra o jejum, deve fazê-lo com uma tâmara. Se não tiver, deverá fazê-lo com água, porque é pura, e purifica todo o organismo."

 

"Quando algum de vós come ou bebe, por acidente, esquecendo-se do seu jejum, deve continuar o jejum até o fim, porque (comendo ou bebendo por engano) significa que Deus lhe deu de comer e de beber."

 

Apesar do jejum parecer difícil, ele não é imposto como uma forma de punição, mas sim como um acto de devoção e auto disciplina.

Citaremos alguns ditos do Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), que dizem respeito a isso:

"O muçulmano que não deixar de dizer mentiras e não abandonar todas as formas de maldade no Ramadan, não lhe adiantará jejuar pois a Deus não interessa que o muçulmano deixe apenas de comer e beber."

 

"Quando um de vós se levanta de manhã em estado de jejum não deve usar linguagens obscenas nem praticar qualquer acto de ignorância. E se alguém vos caluniar, ou quiser discutir convosco, deveis dizer: Estou jejuando, estou jejuando."

 

"Muitos jejuadores apenas obtêm a fome e a sede, assim como muitos ao fazerem a prece nada obtêm além do cansaço físico e da vigília."