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Conselhos para os pais sobre o jejum
O jejuar durante o mês de Ramadan torna-se obrigatório (fardh) para os rapazes e as raparigas que atingem a puberdade, isto é, entre os onze e os quinze anos de idade. Portanto, é aconselhável que preparemos as crianças a enfrentarem essa obrigação, incentivando-as a jejuarem, sempre que possível, quando ainda forem pequeninas.
Muitas crianças muçulmanas começam a guardar o seu jejum com a idade de cinco ou seis anos, ou com menos ainda. Uma vez que essa é uma parte integrante da actividade familiar, a criança naturalmente deverá estar ansiosa por partilhar o que os outros estão fazendo.
Enquanto não estivermos a viver num país muçulmano, onde o jejuar durante o mês de Ramadan é um modo de vida normal para a maioria da população, existem muitas coisas que podemos fazer para tornarmos o jejum atraente e fácil para as nossas crianças. Eis aqui algumas sugestões:
A suhur e a iftár, respectivamente a refeição da ante-madrugada e a quebra do jejum após o escurecer, poderão tornar-se momentos especiais e deleitáveis para toda a família. A iftár é naturalmente seguida da maghrib, a 4ª oração do dia.
As crianças pequenas deverão ser tratadas com carinho ao serem despertadas para a suhur, cedo pela manhã, incentivadas a comerem o quanto desejarem, a beberem muito líquido e encararem o dia de jejum com uma atitude de quem está obedecendo a Deus, da mesma forma que os muçulmanos adultos.
Entre o fim do tempo do suhur e do fajr, ou depois do fajr, as crianças adoram ouvir os seus pais contarem histórias sobre o Islão e lerem o Alcorão; e, ao estarem juntos nessa hora, poderá ser muito especial e significativo.
Se, durante o dia, as crianças pequenas mostrarem-se irrequietas e fracas, ou com muita fome, deverá ser-lhes dado apoio moral e encorajamento, para que mantenham o jejum ao máximo possível; duas ou três horas de sono, durante à tarde, poderão ser de muita ajuda nessa ocasião.
A família poderá conversar acerca de como se sente a pessoa com fome e da necessidade de se ajudar os pobres, de como os produtos alimentícios crescem pela providência divina, como certos alimentos são cultivados e processados, e de como é errado desperdiçar-se comida. A criança que completar um dia de jejum juntamente com sua família haverá de sentir satisfação na sua habilidade de passar sem a necessidade normal da comida e da bebida, em obediência a Deus. Essa será uma experiência significativa para ela, um passo precoce em obedecer as ordens de Deus, em adquirir hábitos flexíveis e adaptáveis, e na habilidade de suportar as vicissitudes, em condições incomuns.
Juntamente com a abstinência da comida e da bebida, as cinco orações deverão ser observadas, individualmente ou com a família, pelas crianças que jejuam, porque o jejuar, sem a prática das orações, é contraditório e sem significado.
Deverá ser dito à criança – e encorajamento deverá ser dado, ao longo dessa prelecção – que quando ela está jejuando, está a abster-se de mais coisas do que apenas comida e bebida, e que deverá também reprimir-se quanto a brigar ou discutir, ficar zangado ou falar mal dos outros. Tanto quanto possível, deverá proceder com as actividades normais do dia. O jejuar da criança deverá depender, tanto quanto possível, da sua própria iniciativa e do seu desejo, quando ela é pequena, e não imposto pelos pais.
Uma vez que o jejuar não é na criança uma obrigação, não deverá ser imposto, se resultar numa rigidez indevida, especialmente durante o período escolar, em que a criança tem de estar atenta e estudar duro. Quando ela atingir a puberdade, deverá estar capacitada a enfrentar essa obrigação, sem a indevida dificuldade, e jejuar todos os dias do mês, a menos que ele (ou ela) se veja numa condição que o (ou a) torne legalmente isento (ou isenta). Nesse ponto, ele (ou ela) deverá repor os dias de jejum que deixar para trás, como qualquer adulto.

