De Portugal para o Mundo...
A chegada do mês de Ramadan
Os muçulmanos de todo o mundo jejuam durante o mês de Ramadan cumprindo um dos mandamentos do Islão, instituído por ALLAH no terceiro ano após a migração do Profeta Muhamad (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) para Madina.
É um mês de misericórdia e perdão; uma oportunidade individual e social de se poder revitalizar o espírito através de um treino e exercício espiritual intensivo. Assim, talvez a nossa consciência responderá ao choro da agonia de milhões de crianças, mulheres e idosos que sofrem um pouco por toda parte do mundo e mesmo aqui na nossa terra, pois o Profeta (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) disse: «Não é crente esse que vai para a cama com a barriga cheia enquanto sabe que o seu vizinho dorme esfomeado.» Não devemos parar de meditar nessas palavras do Profeta (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele).
Este também é um mês de sacrifício, de generosidade para com o seu semelhante e por isso quem puder auxiliar ao seu irmão que o faça, pois ALLAH promete ajudar ao Seu servo desde que este ajude ao seu irmão. E por cada cêntimo gasto com o objectivo de agradar a ALLAH, será recompensado.
O Ramadan recorda-nos anualmente a declaração e o estabelecimento dos direitos humanos, revelados no Alcorão há cerca de 15 séculos. Neste mês, os muçulmanos devotam-se mais nas suas orações, lêem e escutam diariamente o Alcorão e observam uma disciplina rigorosa através do jejum, alterando todos os seus hábitos rotinais.
No fim do mês de Ramadan, os muçulmanos pagam o Sadacatul-Fitr de forma a proporcionar um dia de festa condigna aos muçulmanos carentes. Porém, o Ramadan não terá nenhum significado se a sua mensagem e reforma não for sentida no comportamento do indivíduo ou da sociedade.
O Ramadan não tem por objectivo apenas abster os crentes de comer, beber, relações íntimas, fumar, etc., mas sim fazer reflectir o seu espírito de obediência a ALLAH noutros meses. De entre as lições do mês de Ramadan consta a irmandade, pois nós jamais conseguiremos desenvolver significativamente o nosso papel na luta para um mundo justo enquanto as brechas entre os irmãos não forem reparadas.
Os princípios do Islão são gerais e abrangem a todos, por isso não podemos estar desunidos nos assuntos fundamentais. As nossas diferenças não podem ser o motivo da nossa separação; devemos saber respeitar e compreender as diferenças de opiniões porque, caso contrário, continuaremos a queimar energias em coisas fúteis e insignificantes em detrimento da edificação da união entre o Ummah (comunidade).
Abu Huraira (que Allah esteja satisfeito com ele) narra que o Mensageiro de ALLAH (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) disse: «Muitos dos que jejuam, nada obtêm do seu jejum além da fome, e muitos dos que praticam o Salah durante a noite nada obtêm pelo mesmo, além do desconforto por permanecerem acordados.»
Segundo os Teólogos, a interpretação deste Hadith aplica-se também para indivíduos que jejuam e entretêm-se nas calúnias, difamações, conversas fúteis, mentiras, etc. O jejuador deve-se abster desses actos, pois, isto oblitera e enfraquece a meta do jejuador, que é aproximar-se cada vez mais a ALLAH através do Takwa (piedade) adquirido pelo jejum.
O Profeta (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) disse: «O jejum é um escudo protector para o Homem, desde que ele não despedace (arrase) essa protecção.» Ou seja: o jejum protege o crente do Satanás assim como o escudo protege o Homem dos inimigos. No entanto, se o jejuador caluniar, mentir, difamar, etc., estará a enfraquecer e a obliterar as virtudes do jejum.
O Profeta (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) num Hadith recomenda-nos a evitar desavenças e a não responder as provocações. Pois é natural o jejuador enervar-se e envolver-se facilmente em desavenças, o que realmente é prejudicial para atingirmos a meta preconizada através do jejum.
Todo o muçulmano que ama o Profeta Muhammad (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) deve ter a coragem de abraçar o seu irmão, independentemente das diferenças que possam existir entre eles nos pontos de vistas. A questão essencial aqui não é de quem tem a razão, mas é de quem tem a força moral de dizer: «Meu irmão eu gosto de ti.» e juntar-se a ele.
A comunidade deve estar unida nos seus actos e corrigir as suas falhas. O Islão é um bom remédio para as desordens pessoais, pois as nossas vidas devem estar patenteadas no currículo de ALLAH, que abrange a todos os aspectos da vida.
Os nossos comerciantes e empresários têm de igual modo um grande papel a desempenhar como contributo para a elevação da sociedade, mas antes de tudo eles têm que ser justos para com os seus trabalhadores, pagando-lhes um salário justo, antes de praticarem a caridade ao resto da comunidade.
O Profeta (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) disse: «O comerciante honesto será ressuscitado na companhia dos Profetas e dos mártires.» Este mês de jejum deve ser um mês de inteirarmos das nossas responsabilidades como membros deste Ummah justamente equilibrado.
O Profeta Muhammad (que a Paz e Bençãos de Deus estejam com ele) disse num Hadith Qudssi em que ALLAH diz: «Todos os actos do filho de Adam (i. é. das pessoas) são para eles, excepto o jejum que é exclusivamente para Mim e Eu é que o recompensarei.»
O jejum é um escudo de protecção contra a prática de pecados e por isso, se alguém estiver de jejum deve evitar as obscenidades e disputas e, se porventura, alguém quiser brigar consigo diga-lhe"eu estou de jejum."
E ALLAH diz no Alcorão: «Ó crentes! Foi-vos prescrito o jejum tal como foi prescrito aos que vieram antes de vós, para serdes piedosos, (jejuai) um determinado número de dias. E quem de entre vós estiver doente ou em viagem, (que jejue) o mesmo número em outros dias.» (Cap. 2 Vers 183)
Que ALLAH nos dê forças para aproveitarmos melhor as virtudes deste mês. Ámin!

